ENFOQUE-Racha entre bancos trava implementação ampla do blockchain no Brasil
SÃO PAULO, 19 Abr (Reuters) – Uma disputa entre grandes
bancos está travando a implementação mais ampla de inovações no
setor financeiro no Brasil com uso do blockchain, arquitetura
que registra informações de uma rede de forma criptografada,
verificável e compartilhada.
Há pelo menos quatro anos em discussão na Febraban, entidade
que representa o setor bancário, o blockchain (cadeia de blocos,
no tradução literal do inglês) é visto como candidato a promover
mudanças profundas no modelo de negócios de setores inteiros da
economia.
Dadas as possibilidades inerentes ao blockchain, como de
rastreabilidade e de que negócios entre duas partes ocorrerem
sem necessidade de validação por terceiros, empresas tão
distintas quanto fabricantes de bebidas e locadoras de veículos
vêm fazendo investimentos crescentes no setor.
No setor bancário, isso pode trazer ao cotidiano inovações
como transferências bancárias a qualquer dia e hora ao custo de
uma fração do atualmente pago nas TEDs e DOCs, ou a
digitalização do real, tudo dentro de um período de
implementação relativamente curto.
Nada comparável com o governo de Cingapura, que está na
segunda fase de um projeto destinado a fazer todo seu sistema
bancário rodar com base em blockchain, mas ainda assim
profundas.
"Daqui a alguns anos, qualquer troca ou liquidação
financeira será feita por meio de blockchain", diz o
vice-presidente responsável por tecnologia do Bradesco
, Maurício Minas.
Já se visualiza, por exemplo, cenário de redesenho ou de
substituição da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP),
central responsável pela comunicação das transações entre os
bancos, parte do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), diz
Thiago Charnet, diretor de arquitetura da informação no Itaú
Unibanco .
Mas isso depende de consenso entre as instituições sobre
qual plataforma usar. Há dois grupos fazendo um cabo de guerra,
cada qual tentando fazer prevalecer seu modelo, com Itaú
Unibanco e Bradesco de um lado, e Santander , Banco
do Brasil e Caixa Econômica FederalCEF.UL do
outro.
Hoje, os bancos testam várias plataformas de blockchain
simultaneamente, dependendo da aplicação desejada. "O mais
provável é que daqui a alguns anos os bancos estejam usando
várias plataformas, cada qual para uma aplicação diferente",
disse Guilherme Horn, chefe no Brasil da área de inovação da
AccentureACN.N no Brasil.
Para uso mais abrangente, as preferências têm se dividido.
Santander, BB e Caixa têm desenvolvido testes conjuntos no
Multichain e no Hyperledger Fabric, plataforma totalmente aberta
tida como mais eficaz na interface dos bancos com empresas
clientes, por exemplo.
Já Itaú e Bradesco preferiram aderir ao Corda, sistema
desenhado para o setor financeiro pelo R3, consórcio global de
94 instituições financeiras do mundo, incluindo eles mesmos,
além da B3B3SA.SA , no Brasil.
Na semana passada, o Santander Brasil lançou um serviço de
remessa internacional por meio do Repo, considerado o melhor
para esta atividade. Itaú e Bradesco, com mais dois bancos,
começaram mais cedo neste ano no país a usar blockchain nas
transações entre eles com derivativos de balcão, com base no
Corda.
Além das preferências tecnológicas, o embate envolve
questões mais amplas, como o controle de como e quem pode ter
acesso à informação, uma tema sensível no setor financeiro, dada
as implicações sobre sigilo e a sustentabilidade do negócio.
Daí a preferência dessas instituições para fazerem parte de
um consórcio fechado, o que lhes dá maior controle para impor
determinados limites sobre a versão licenciada.
O Corda e o Hyper Ledger são conhecidos como Distributed
Ledger Technologies (DLT), sistema parecido com o blockchain,
mas que difere dele por ter controle mais centralizado. O Hyper
Ledger, no entanto, é todo desenhado sobre plataforma aberta,
enquanto o Corda tem duas versões. Na fechada, só os sócios têm
acesso.
"Mas outros usuários podem usar uma versão aberta,
compatível", diz o diretor-geral do R3 no Brasil, Keiji Sakai.
Oficialmente, os bancos dizem que as diferentes plataformas
podem conviver e que os resultados de testes ao longo do tempo
vão indicar quais as melhores para cada aplicação.
"Não achamos que seja um programa rival do Corda, embora
algumas aplicações sejam parecidas", disse Igor Regis Simões,
gerente-executivo de tecnologia do Banco do Brasil, sobre o
Hyper Ledger.
As declarações amistosas dos executivos, no entanto,
contrastam com embate de bastidores entre os bancos para tentar
fazer prevalecer sua preferência, e que traz consigo interesses
de gigantes de tecnologia incluindo IBMIBM.N , Oracle ORCL.N
e SAPSAPG.DE , e possíveis contratos de centenas de milhões de
dólares.
"Algumas discussões no âmbito do sistema financeiro sobre a
escolha da melhor plataforma deixaram de ser técnicas", disse
uma fonte, que pediu para não ser identificada.
Com isso, algumas novidades previstas pela própria Febraban
para 2018 com uso do blockchain foram adiadas. "Era para ser o
ano da aplicação, mas isso atrasou", disse a fonte. Procurada, a
Febraban não comentou o assunto.
Uma das mais ambiciosas é a criação de uma versão
digitalizada do real, que permitiria que pessoas fizessem, por
exemplo, pagamentos por meio de uma carteira digital, um projeto
que tem interesse direto do Banco Central.
Em vez disso, os bancos têm avançado mais rapidamente com o
uso do blockchain para uso interno. O BB já tem uma moeda
digital própria, o "flurbos", usado para patrocinar projetos
internos de inovação. O Bradesco está desenvolvendo algumas
soluções que poderão ser vendidas para empresas ou para
governos.
Alheio a essa disputa, o BC tem feito vários testes que o
setor chama de provas de conceito e que podem chegar ao público
nos próximos meses, incluindo um sistema de identificação
digital para combater fraudes.
bancos está travando a implementação mais ampla de inovações no
setor financeiro no Brasil com uso do blockchain, arquitetura
que registra informações de uma rede de forma criptografada,
verificável e compartilhada.
Há pelo menos quatro anos em discussão na Febraban, entidade
que representa o setor bancário, o blockchain (cadeia de blocos,
no tradução literal do inglês) é visto como candidato a promover
mudanças profundas no modelo de negócios de setores inteiros da
economia.
Dadas as possibilidades inerentes ao blockchain, como de
rastreabilidade e de que negócios entre duas partes ocorrerem
sem necessidade de validação por terceiros, empresas tão
distintas quanto fabricantes de bebidas e locadoras de veículos
vêm fazendo investimentos crescentes no setor.
No setor bancário, isso pode trazer ao cotidiano inovações
como transferências bancárias a qualquer dia e hora ao custo de
uma fração do atualmente pago nas TEDs e DOCs, ou a
digitalização do real, tudo dentro de um período de
implementação relativamente curto.
Nada comparável com o governo de Cingapura, que está na
segunda fase de um projeto destinado a fazer todo seu sistema
bancário rodar com base em blockchain, mas ainda assim
profundas.
"Daqui a alguns anos, qualquer troca ou liquidação
financeira será feita por meio de blockchain", diz o
vice-presidente responsável por tecnologia do Bradesco
, Maurício Minas.
Já se visualiza, por exemplo, cenário de redesenho ou de
substituição da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP),
central responsável pela comunicação das transações entre os
bancos, parte do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), diz
Thiago Charnet, diretor de arquitetura da informação no Itaú
Unibanco .
Mas isso depende de consenso entre as instituições sobre
qual plataforma usar. Há dois grupos fazendo um cabo de guerra,
cada qual tentando fazer prevalecer seu modelo, com Itaú
Unibanco e Bradesco de um lado, e Santander , Banco
do Brasil e Caixa Econômica Federal
outro.
Hoje, os bancos testam várias plataformas de blockchain
simultaneamente, dependendo da aplicação desejada. "O mais
provável é que daqui a alguns anos os bancos estejam usando
várias plataformas, cada qual para uma aplicação diferente",
disse Guilherme Horn, chefe no Brasil da área de inovação da
Accenture
Para uso mais abrangente, as preferências têm se dividido.
Santander, BB e Caixa têm desenvolvido testes conjuntos no
Multichain e no Hyperledger Fabric, plataforma totalmente aberta
tida como mais eficaz na interface dos bancos com empresas
clientes, por exemplo.
Já Itaú e Bradesco preferiram aderir ao Corda, sistema
desenhado para o setor financeiro pelo R3, consórcio global de
94 instituições financeiras do mundo, incluindo eles mesmos,
além da B3
Na semana passada, o Santander Brasil lançou um serviço de
remessa internacional por meio do Repo, considerado o melhor
para esta atividade. Itaú e Bradesco, com mais dois bancos,
começaram mais cedo neste ano no país a usar blockchain nas
transações entre eles com derivativos de balcão, com base no
Corda.
Além das preferências tecnológicas, o embate envolve
questões mais amplas, como o controle de como e quem pode ter
acesso à informação, uma tema sensível no setor financeiro, dada
as implicações sobre sigilo e a sustentabilidade do negócio.
Daí a preferência dessas instituições para fazerem parte de
um consórcio fechado, o que lhes dá maior controle para impor
determinados limites sobre a versão licenciada.
O Corda e o Hyper Ledger são conhecidos como Distributed
Ledger Technologies (DLT), sistema parecido com o blockchain,
mas que difere dele por ter controle mais centralizado. O Hyper
Ledger, no entanto, é todo desenhado sobre plataforma aberta,
enquanto o Corda tem duas versões. Na fechada, só os sócios têm
acesso.
"Mas outros usuários podem usar uma versão aberta,
compatível", diz o diretor-geral do R3 no Brasil, Keiji Sakai.
Oficialmente, os bancos dizem que as diferentes plataformas
podem conviver e que os resultados de testes ao longo do tempo
vão indicar quais as melhores para cada aplicação.
"Não achamos que seja um programa rival do Corda, embora
algumas aplicações sejam parecidas", disse Igor Regis Simões,
gerente-executivo de tecnologia do Banco do Brasil, sobre o
Hyper Ledger.
As declarações amistosas dos executivos, no entanto,
contrastam com embate de bastidores entre os bancos para tentar
fazer prevalecer sua preferência, e que traz consigo interesses
de gigantes de tecnologia incluindo IBM
e SAP
dólares.
"Algumas discussões no âmbito do sistema financeiro sobre a
escolha da melhor plataforma deixaram de ser técnicas", disse
uma fonte, que pediu para não ser identificada.
Com isso, algumas novidades previstas pela própria Febraban
para 2018 com uso do blockchain foram adiadas. "Era para ser o
ano da aplicação, mas isso atrasou", disse a fonte. Procurada, a
Febraban não comentou o assunto.
Uma das mais ambiciosas é a criação de uma versão
digitalizada do real, que permitiria que pessoas fizessem, por
exemplo, pagamentos por meio de uma carteira digital, um projeto
que tem interesse direto do Banco Central.
Em vez disso, os bancos têm avançado mais rapidamente com o
uso do blockchain para uso interno. O BB já tem uma moeda
digital própria, o "flurbos", usado para patrocinar projetos
internos de inovação. O Bradesco está desenvolvendo algumas
soluções que poderão ser vendidas para empresas ou para
governos.
Alheio a essa disputa, o BC tem feito vários testes que o
setor chama de provas de conceito e que podem chegar ao público
nos próximos meses, incluindo um sistema de identificação
digital para combater fraudes.

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